sábado, 20 de dezembro de 2008

Unesp deve ter curso de pedagogia a distância em 2009

Unesp deve ter curso de pedagogia a distância em 2009

Fonte: Folha de São Paulo
RAFAEL SAMPAIODA REPORTAGEM LOCAL
As aulas do curso a distância de pedagogia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) para professores da rede pública devem começar no segundo semestre de 2009, diz o secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt.O vestibular para a graduação -que vai formar até 5.000 docentes dos ensinos infantil, fundamental e médio e durará três anos- está previsto para ocorrer em abril ou maio. O edital da prova deve sair em fevereiro."O curso terá 70 pólos de aulas presenciais espalhados pelo Estado, que usarão estrutura de unidades da Unesp, Fatec [Faculdade de Tecnologia] e também de prefeituras", afirma Vogt.O curso foi aprovado pelo Conselho Universitário da Unesp na quarta-feira. Ele será a primeira graduação das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) em convênio com a Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) -que pretende criar um sistema de ensino superior a distância.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pesquisa traz redução de matrículas

Especial Inclusão em Cena
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Caiu o número de alunos com deficiência no ensino básico -que vai da educação infantil ao ensino médio e inclui educação profissional e de jovens e adultos. Em 2006, havia 700.624; em 2007, 669.931, o que significa uma redução de 4,4%.
Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), a redução se deve a uma mudança metodológica do sistema de coleta de dados do Censo 2007. Pela primeira vez, utilizou-se o Educacenso, que solicita dados detalhados sobre escola, alunos e professores, eliminando, por exemplo, cadastros duplicados.
Pelo último censo, 46,8% das matrículas são em classes comuns -nas quais há a integração entre alunos deficientes e não-deficientes- do ensino regular e da EJA (Educação de Jovens e Adultos). Outras 41,3%, em escolas exclusivamente especializadas, e 11,9%, em classes especiais do ensino regular e da EJA.
"O MEC tem desenvolvido uma política de educação inclusiva e deve haver uma migração das classes especiais para as regulares", diz a pesquisadora do Diesat (departamento de estudos de saúde e dos ambientes de trabalho) Alecxandra Ito.
Procurado, o MEC não quis comentar os dados.

Não há alunos suficientes, diz associação
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Desde 25 de setembro, com a lei do estágio, as empresas têm de reservar 10% de suas vagas para deficientes. Segundo os cálculos da Abres (Associação Brasileira de Estágios), são 71,5 mil postos para estudantes do ensino superior. Contudo, há 6.960 alunos deficientes de graduação no país, segundo os dados do MEC (Ministério da Educação).

"As empresas procuram, mas não conseguem encontrar estagiários com esse perfil", destaca o diretor-presidente da Abres, Seme Arone Junior. Não apenas, sugere ele, pela falta de alunos na graduação para atender a demanda como também porque os jovens profissionais são disputados pelo mercado.
"As empresas os absorvem como celetistas, para cumprir Lei de Cotas."
A auxiliar administrativa Elem Barbosa, 21, que perdeu dedos e parte do movimento do braço esquerdo, faz parte do grupo que dispensa o estágio.
Ingressou no Grupo Astra, de construção civil, em 2005 e há um ano e meio entrou na faculdade.
"Desde que estou aqui na empresa, não mandei nenhum currículo", diz.
"Por esse assédio das empresas, não sentimos aumento da procura pelo estudante", considera o presidente do Núcleo Brasileiro de Estágios, Carlos Henrique Mencaci.

Curso gratuito é ponte para obter emprego
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Uma das pontes para o mercado de trabalho são os cursos de capacitação de profissionais. É por meio das instituições que ministram esses treinamentos que muitas empresas selecionam seus colaboradores.

Em algumas delas, o índice de absorção desses trabalhadores após a qualificação chega a 85%, a exemplo da Avape. Em 2008, foram 889 pessoas capacitadas e recolocadas.
No caso do IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência), é mantido um banco de dados para encaminhar os 4.000 egressos dos cursos para o mercado. "Recebemos, em média, três pedidos de empresas diferentes por dia -uma oferta de 150 vagas por mês", diz a superintendente da organização, Teresa d'Amaral.
Dos profissionais encaminhados às firmas, complementa ela, 35% foram contratados.

Sem procura
Apesar de ser um canal para conseguir uma vaga, entidades que oferecem cursos gratuitos reclamam da baixa procura.
Uma delas é a Secretaria Estadual do Emprego de São Paulo, que estendeu inscrições de treinamentos para janeiro -o prazo terminava em dezembro.
Nos dez primeiros dias, o programa havia recebido 120 inscrições -para 960 vagas.
Para Juan Sanches, que coordena a iniciativa, há duas causas principais disso: o desinteresse e a Loas (Lei Orgânica da Assistência Social), que assegura um salário mínimo a quem não tem meios de se manter.
Já Danilo Namo, diretor-técnico do Instituto Paradigma, credita a baixa adesão à falta de garantia de emprego.
Há um ano, o instituto parou de oferecer cursos gratuitos, em parte pela baixa procura, e passou a ministrar treinamentos nas empresas. "A inclusão no trabalho é prioritária", diz.
Fonte: FSP 14/12/08

Só 30% dos reabilitados pela Previdência são reinseridos

Especial Inclusão
Problema é a falta de qualificação e de capacitação, justifica ministério

DA REPORTAGEM LOCAL

Oferecida pela Previdência Social, a reabilitação de profissionais acidentados que tiveram a capacidade de trabalho reduzida -com inclusão ou não na Lei de Cotas- promove a reinserção no mercado laboral de apenas 30% dos segurados.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, em 2008, 60.638 segurados foram inscritos no programa de reabilitação. Contudo, apenas 18.064 retornaram para o mercado. Não há estatísticas de quantos acidentes levam à deficiência.
De acordo com Leila Cannalonga, chefe da divisão de Reabilitação Profissional da Previdência, o grande problema desses profissionais é a falta de qualificação e de capacitação.
"Hoje o mercado exige, no mínimo, que a pessoa tenha o ensino médio completo. O que acontece é que grande parte dessas pessoas fez apenas o ensino fundamental ou somente é alfabetizada", afirma.

Aptidão
Cannalonga explica que o programa de reabilitação deve ser recomendado por um perito da Previdência que, com um orientador profissional, atesta não só a capacidade física do trabalhador mas também seu perfil socioprofissional -ou seja, para quais atividades ele está apto para atuar.
A fim de agilizar o atendimento dessas pessoas, o ministério firmou convênios com entidades em todo o país.
No Estado de São Paulo, a parceria é feita com a Avape (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais).
Segundo Eliana Victor, diretora da divisão de reabilitação e inclusão da entidade, 206 pessoas foram atendidas desde agosto, quando foi fechada a parceria com o governo.
"Demos a elas cursos como informática e vendas. Mas não sabemos quantas conseguiram obter uma recolocação."
O empacotador Anderson Antonio dos Santos, 28, que tem movimentos reduzidos na perda direita, foi um dos beneficiados pela reabilitação.
Após fazer alguns cursos, ele conseguiu um emprego em uma editora, onde conferia revistas. "Na Avape, eu fazia dinâmicas de grupo e eles avaliavam minha capacidade de trabalho. Hoje sou empacotador em uma indústria. Vejo que tem bastante oportunidade, mas como só tenho o ensino fundamental, não consegui o melhor posto."
Para driblar essa situação, em janeiro, Santos pretende fazer um supletivo e ainda sonha em fazer faculdade de engenharia mecânica. (MCN)
Fonte: FSP 14/12/08

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

INCLUSÃO EM CENA Especial da Folha

Deficiente mental ganha 48% menos que os demais
Eles representam 2,4% do total de empregados com deficiência no país
CRIPPA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Prestes a concluir o ensino médio, Tamara Regina de Souza, 21, começou a procurar emprego em escritórios e lojas de departamentos. Passou quase três anos entre testes e entrevistas sem nada conseguir até que uma tia desconfiou de seu desempenho -inferior ao de outras garotas da mesma idade. Levada ao médico, soube que tinha deficiência intelectual leve, conseqüência de ataques epilépticos que sofria desde os sete anos. "Sempre tive dificuldade na escola", comenta. A oportunidade de trabalho só surgiu três anos mais tarde, após freqüentar cursos de capacitação para deficientes. Em fevereiro, começou a trabalhar em uma maternidade, onde confere as guias das pacientes.Ainda que tenha passado por uma via-crúcis para conseguir a colocação, Souza é exceção entre os deficientes intelectuais.Dados do Censo 2000, apurados pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), demonstram que 14,5% da população tem algum tipo de deficiência -8,3% são deficientes mentais.
Mas, de acordo com a Rais 2007, do Ministério do Trabalho e Emprego, apenas 2,4% do total de pessoas com necessidade especial empregadas têm deficiência mental. Os deficientes físicos representam 50,3%, e os auditivos, 28,2%.
A discriminação é refletida também nos níveis salariais. Em média, um deficiente intelectual ganha R$ 728 mensais, enquanto a remuneração média dos profissionais deficientes, em geral, é de R$ 1.390 por mês -diferença de 91%.No caso das pessoas com deficiência auditiva, esse valor é de R$ 1.845; no de visuais, R$ 1.413. Segundo a Rais 2007, a média salarial de brasileiros não-deficientes é de R$ 1.356.Dados da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo apontam que, de 2001 a julho de 2008, 85.524 pessoas entraram nas empresas por meio da Lei de Cotas. Desse universo, apenas 3.250, ou 4%, são deficientes mentais.
Adaptação
A justificativa de especialistas ouvidos pela Folha é que contratar um deficiente mental requer mais adequações."É um trabalhador que exige mais treinamento, mais prazo para dar retorno e um acompanhamento constante", afirma a psicóloga Maria Aparecida Fernandes Pereira, coordenadora do Programa de Formação Profissional Conte Comigo da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais).
Listado como uma das empresas que mais contratam deficientes no Brasil, o Itaú emprega hoje 2.600 funcionários nessas condições -nenhum com deficiência intelectual."Para 2009, queremos não só os incluir mas também criar uma condição de carreira, sem conceito paternalista", adianta Ana Paula Lima, superintendente da área de atração, diversidade e integração do banco.
Deficientes qualificados são maioria no mercado
Dos empregados com deficiência, 53% têm nível médio ou superior
MARIA CAROLINA NOMURA
DA REPORTAGEM LOCAL
Ter qualificação é a exigência mínima para ocupar qualquer posto de trabalho. Para pessoas com deficiência, essa regra não é diferente.De acordo com dados da Rais 2007 (Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Emprego), das 348.818 pessoas com deficiência inseridas no mercado profissional, 53% têm o ensino médio ou o superior completo."Isso reflete o viés de contratação das empresas, que estão priorizando recrutar pessoas [com deficiência] com nível de escolaridade maior", explica José Carlos do Carmo, um dos coordenadores do programa de inclusão da pessoa com deficiência da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo.Investir na educação para se destacar no mercado de trabalho foi a aposta do professor de artes plásticas do Colégio Santa Maria, Paulo Pitombo, 49, deficiente visual."O mercado é muito exigente e tentei me qualificar ao máximo. Além da competência, tive que mostrar credibilidade", conta ele, que tem mestrado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Excluídos
A realidade da inclusão, contudo, não é otimista, na avaliação do assessor da Secretaria de Inspeção do Trabalho Rogério Reis. "As empresas optam por contratar pessoas com deficiências mais leves. O número total de trabalhadores poderia ser dobrado se a cota estivesse sendo cumprida", afirma. Pela Lei de Cotas, companhias com mais de cem funcionários têm de reservar de 1% a 5% de vagas para deficientes, conforme o número de colaboradores. No Brasil, o Censo 2000, do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que 14,5% da população -24,5 milhões de pessoas- tem alguma deficiência. falta de fiscalização, diz Reis, é um dos grandes entraves para o cumprimento da norma. "As empresas ainda alegam que os profissionais não são qualificados nem capacitados."A fim de driblar essa situação, o Ministério do Trabalho e Emprego lançou, em novembro, um projeto piloto em nove Estados para incitar a inclusão. O objetivo é oferecer à empresa a alternativa de capacitar as pessoas com deficiência como aprendizes durante dois anos. "Após esse período, ela terá de contratá-los pela cota."
Fonte: FSP 14/12/08
Comentário: Alega-se que a baixa qualificação é o que impede a contratação de muitos deficientes. Com as políticas de Educação Inclusiva do Governo Federal isto vem caíndo por terra e vai ficando mais evidente que se trata da procura de um funcionário que se enquadre em um determinado padrão. Não se pensa em reestruturação da empresa para que ela seja inclusiva, pois a reenstruturação visa apenas aos lucros e o investimento em pessoas com deficiência, no início, pode gerar algumas despesas, que serão compensada a longo prazo. Da mesma forma, nada justifica o baixo salário de pessoas "classificadas" muitas vezes indevidamente, como pessoas com deficiência intelectual. Novamente é a tentativa de enquadra o empregado na empresa e não a empresa às demandas sociais, das quais ela depende e é sustentada. Lembra a mesma discussão sobre produção sustentável, com as mesmas alegações que hoje se mostram grandes engodos.

Dentistas adotam agulhas e hipnose

Conselho Federal de Odontologia aprova práticas como acupuntura e homeopatia no consultórioProcedimentos têm ação analgésica e anestésica; profissionais terão de fazer cursos para utilizá-los nos consultórios odontológicos
CLÁUDIA COLLUCCIDA
REPORTAGEM LOCAL
Dentistas passam a tratar pacientes com acupuntura, homeopatia, fitoterapia, hipnose e terapias florais a partir de 2009. A inclusão dos procedimentos nos consultórios foi aprovada pelo CFO (Conselho Federal de Odontologia). Profissionais terão de fazer cursos para exercerem as práticas.Há dois anos, o governo federal lançou uma portaria recomendando alguns desses tratamentos no SUS. O uso da acupuntura gerou uma série de protestos de entidades médicas, que defendiam o procedimento como ato médico por necessitar de diagnóstico e ser uma prática invasiva. Ontem, o CFM (Conselho Federal de Medicina) informou que não sabia da decisão do CFO. Por lei, os dentistas podem prescrever medicamentos e terapias relacionadas ao tratamento odontológico.
Alguns dentistas brasileiros já têm adotado essas práticas alternativas durante os tratamentos, mas, até agora, não havia nem aval do CFO nem exigência de habilitação."Já era tempo de a odontologia humanizar o tratamento de forma segura e com menos custo e menos sofrimento para o paciente", afirma o dentista Emil Adib Razuk, presidente do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo. Segundo Razuk, a acupuntura, por exemplo, tem ação analgésica e anestésica e pode, em casos específicos, até substituir procedimentos consagrados. "Temos pacientes alérgicos à anestesia que poderão ser muito beneficiados. Os que sofrem de disfunção temporomandibular também têm alívio da dor [com o uso da agulhas]."O cirurgião dentista Marco Antonio Lopes Salinas, que já adota a acupuntura na sua prática clínica, diz que, além de aliviar a dor, a técnica reduz os níveis de ansiedade do paciente. "É extremamente útil nos tratamentos periodontais [raspagens dos dentes para a retirada do tártaro, por exemplo]". Ele relata que as agulhas também já foram capazes de reduzir a pressão arterial de um paciente e aliviar a ânsia de vômito de outro durante um procedimento de moldagem. "Foram situações surpreendentes pela rapidez da resposta."Salinas diz que costuma aplicar as agulhas em pontos espalhados pelo corpo ou nas mãos e no pulso, dependendo de cada situação. Uma minoria (cerca de 20%) de pacientes rejeita a técnica, segundo o dentista.
Hipnose
Outra prática aprovada pela CFO é a hipnose, que alguns dentistas já utilizam associada à inalação de óxido nitroso e oxigênio (hipnoanalgesia). Na inalação, o paciente fica levemente sedado e, por isso, mais suscetível à indução pela palavra, segundo Razuk.Hoje não se usa mais objetos como o pêndulo. O estado de hipnose é induzido somente pela voz do profissional. Com o polegar na testa do paciente, o dentista sugere que ele mentalize locais bonitos, calmos e aconchegantes e, aos poucos, ele vai entrando em transe hipnótico. "O condicionamento hipnótico é fundamental para o paciente aflito", diz Razuk. Sobre os medicamentos homeopáticos e fitoterápicos, Razuk aponta como principal vantagem um menor risco de efeitos colaterais e de interações medicamentosas. No caso das terapias florais, não há uma ação específica no tratamento, mas a promessa de um "reequilíbrio energético".
Formação
A nova resolução do CFO diz ainda que os cursos que irão habilitar os dentistas a exercer uma ou mais dessas práticas devem ser ministrados por instituições credenciadas.
Os profissionais que já adotam as técnicas só poderão continuar com as atividades se apresentarem certificados atestando a habilidade. Só serão aceitos documentos emitidos por instituições de ensino superior ou por entidades credenciadas no MEC e no CFO. Outra forma de comprovação será por meio da apresentação de um memorial que comprove o exercício da prática por, no mínimo, cinco anos - desde que esse período tenha ocorrido na última década- ou de uma prova na presença de uma banca.
Fonte: FSP, caderno Saúde 16/12/08

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Na hora de estresse, mantenha a mente aberta

Fonte: The New York Times e Folha de São Paulo

ENSAIO


Na hora de estresse, mantenha a mente aberta

GREGORY BERNS

Minha sensação é que o trabalho está ficando cada vez mais semelhante a uma caixa de Skinner.
Uma caixa de Skinner é uma câmara condicionadora operante - em outras palavras, uma gaiola que treina um animal de laboratório a fazer associações automáticas entre alavancas e luzes piscantes, de um lado, e recompensas e castigos, do outro. Ela foi inventada na década de 1950 por B.F. Skinner, um psicólogo experimental, para estudar o aprendizado.
A luz verde pisca, ou o animal empurra a alavanca certa, e então ele é recompensado com um pedaço de alimento. Mas algumas câmaras condicionadoras operantes são feitas com pisos eletrificados.
Uma luz vermelha se acende, e zap! O camundongo não demora muito a perceber que luz se acende com o choque elétrico e qual delas é associada ao alimento.
Todos os animais são bons em fazer essas associações - até mesmo nós, primatas.
Não demora muito para nem sequer precisarmos da luz: a simples visão de caixa é capaz de levar alguns de nós a um estado de apoplexia.
O local de trabalho não chega a ser uma caixa eletrificada, mas acho que preferiria um choque elétrico de curta duração aos choques intermitentes das quedas diárias nas bolsas ou das sucessivas ondas de demissões nas empresas.
Todo o mundo está com medo. O medo dos trabalhadores se generalizou para seus locais de trabalho e para tudo o que está relacionado ao dinheiro. Estamos presos numa espiral em que temos tanto pavor de perder nossos empregos e nossas economias, e esse medo toma conta de nossos cérebros. Embora seja um instinto adaptativo e profundamente arraigado de autopreservação, o medo também impede que nos concentremos em qualquer coisa senão salvar nossas peles, em sair da caixa intactos.
Nada de bom pode sair desse tipo de processo decisório. Justamente quando mais precisamos de novas idéias, todo o mundo está paralisado de medo, tentando manter o que ainda resta.
Sou neuroeconomista, o que significa que uso tecnologia de escaneamento cerebral para decodificar o processo decisório humano. Meus colegas e eu fizemos um experimento com nossa versão própria de uma caixa de Skinner.
Em vez de estarem numa caixa, os participantes ficaram num aparelho de ressonância magnética. Em vez de piso eletrificado, prendemos eletrodos a seus pés. Embora não fossem demasiado dolorosos, a intenção era que os choques fossem suficientemente desagradáveis para que a pessoa preferisse evitá-los por completo.
O ponto central do experimento era que os sujeitos tinham que esperar pelos choques. E, para muitas pessoas, a espera era a pior parte. Quase um terço tinha tanto meda da espera que preferia receber um choque maior imediatamente a aguardar um choque menor mais tarde. Soa ilógico, mas o medo - seja da dor ou de perder o emprego - exerce efeitos estranhos sobre o processo decisório.
Algumas pessoas demonstraram forte condicionamento pelo medo, evidenciado pelo uso de recursos neurais para enfrentar o choque iminente. A maior parte dessa atividade ocorria nas partes do cérebro que processam a dor.
Essa preocupação toda gastou energia, de modo que essas pessoas que apresentaram reações extremas tinham menos poder de processamento neural disponível para outras tarefas.
A neurociência nos diz que, quando o sistema de medo do cérebro está ativo, a atividade exploratória e a atividade de tomada de riscos estão desligadas. Assim, a primeira coisa que é preciso fazer é neutralizar esse sistema.
Isso significa não disseminar o medo entre as outras pessoas. Significa evitar pessoas que são excessivamente pessimistas em relação à economia. Significa desligar a mídia que alimenta chamas emocionais. Significa estar preparado, mas não hipervigilante.
O que eu estou fazendo agora é procurar novas oportunidades. Isso quer dizer aplicar a neurociência a áreas em que ela ainda não foi usada. Estou colaborando com antropólogos para usar imageamento cerebral para compreender as raízes biológicas dos conflitos políticos. Estou iniciando outro projeto para usar o imageamento cerebral para prever quais adolescentes têm a probabilidade de fazer julgamentos fatalmente ruins e, esperamos, treiná-los a tomar decisões melhores.
Essa estratégia conserva ativo o sistema exploratório de meu cérebro. Sim, esses novos projetos encerram riscos e alguns deles vão fracassar. Mas, enquanto outros esperam a tempestade passar, eu estou ocupado, estendendome para novas áreas. Se eu esperar o dinheiro começar a chegar outra vez, as oportunidades terão passado.


O médico Gregory Berns dirige o Centro de Neuropolítica da Universidade Emory em Atlanta, Geórgiav

Ciclos: Método também é adotado em outros países

Método também é adotado em outros países

DA SUCURSAL DO RIO

Fonte: Folha de São Paulo

O sistema de ciclos é usado em vários países e não tem impacto negativo no desempenho dos alunos, segundo estudo divulgado em 2007 pelo pesquisador Serguei Soares, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que utilizou como base de comparação o resultado de vários países em exames internacionais.
Soares cita que, em países como Austrália, Coréia do Sul, Japão, Noruega ou Suécia, é proibido reprovar um aluno que esteja cursando o ensino fundamental.
Em outros, como Chile ou Cingapura, a reprovação é permitida apenas em algumas séries -ou limitada a um percentual.
O estudo mostra que os melhores desempenhos foram de países em que a repetência é proibida ou limitada. E isso não se deve apenas ao fato de serem nações mais ricas, pois Soares considerou os indicadores sociais e econômicos na comparação.

Professores foram contrários à forma de implantação de ciclos

Professores foram contrários à forma de implantação de ciclos

Sindicatos apontam vantagens no sistema, mas dizem que ele também pode ser usado para maquiar dados da educação

No Rio e em SP, modelo foi também tema de debates em campanhas eleitorais e chegou a ser taxado de "aprovação automática"

DA SUCURSAL DO RIO

Fonte: Folha de São Paulo

Rio e São Paulo, recentemente, vivenciaram momentos em que o debate sobre a qualidade da educação parecia se limitar à adoção ou não de ciclos. Nos dois Estados, os sindicatos dos professores se posicionaram criticamente à implementação do sistema, argumentando que o problema estava na forma como isso ocorreu.
Em São Paulo, as discussões chegaram ao seu auge nas eleições para o governo do Estado, em 2002, quando os candidatos José Genoino (PT) e Paulo Maluf (do então PPB) atacavam com freqüência o que chamavam de "aprovação automática" da gestão dos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin.
Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp (sindicato dos professores de SP), diz não ter ficado surpresa com o fato de um estudo mostrar que não há perda na qualidade. "Considero o sistema um avanço por ser menos excludente. O que criticamos foi a forma autoritária com que foi implementado em São Paulo, sem a preocupação de formar o profissional e dar a ele insumos para trabalhar adequadamente."
No Rio, o ponto alto do debate ocorreu neste ano, quando quase todos os candidatos à prefeitura -com exceção da candidata de situação- criticaram a ampliação do sistema de ciclos na gestão Cesar Maia (DEM). O eleito, Eduardo Paes (PMDB), inclusive prometeu acabar com o sistema em seu primeiro ato de governo.
Também no Rio, o sindicato dos professores foi uma das principais vozes contrárias.
"Se houver um trabalho para que o ciclo seja praticado, ele é eficaz. Mas o que aconteceu no Brasil é que vários governos aproveitaram essa idéia apenas para maquiar a má qualidade do ensino, já que a reprovação e o abandono diminuem se você não repetir nenhum aluno", afirma Vera Nepomuceno, diretora do sindicato.
Segundo ela, tanto no sistema seriado quanto no de ciclos há cada vez mais alunos chegando ao ensino médio com problemas que deveriam ter sido sanados na alfabetização. "Com o ciclo, no entanto, o problema é mais camuflado, mas ele não é o vilão da história."

Sistema de ciclos não piora ensino, diz estudo

Sistema de ciclos não piora ensino, diz estudo
Pesquisa aponta que alunos que estudam nesse método apresentam notas bastante semelhantes às dos alunos do sistema seriado

Nos ciclos, estudantes não podem ser reprovados em todas as séries; sistema tem taxas menores de evasão e de repetência de alunos

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Fonte: Folha de São Paulo

Poucos debates educacionais mobilizaram tanto recentemente a sociedade quanto a adoção do sistema de ciclos. Objeto de discussões acaloradas em debates eleitorais, muitos políticos acusaram o modelo de ter piorado a qualidade de ensino com a "aprovação automática" de alunos sem base.
Um estudo a partir do desempenho de estudantes na Prova Brasil (avaliação do MEC que monitora a performance de alunos em português e matemática) traz um pouco de luz à discussão, mostrando que praticamente não há diferença nas notas em sistemas de ciclos -em que a reprovação não ocorre todo ano- e seriados.
O trabalho foi elaborado pelos pesquisadores Naércio Menezes Filho (USP e Ibmec), Lígia Vasconcellos, Sérgio Werlang e Roberta Biondi (os três últimos do Banco Itaú).
Pela primeira vez, eles utilizaram dados da Prova Brasil para comparar os sistemas.
A primeira comparação feita pelos autores do estudo é favorável aos alunos no sistema de ciclos, pois mostra que o desempenho deles nas provas de português e matemática é melhor, variando de uma diferença de 0,9% (na prova de matemática na 8ª série) para 4,4% (em português na 4ª série).

Nível socioeconômico
Isso, no entanto, não é suficiente para comprovar que o sistema de ciclos seja melhor, já que a diferença poderia ser devida ao fato de esses estudantes terem nível socioeconômico mais elevado e estarem em escolas mais bem equipadas.
Para captar melhor o efeito dos ciclos, os autores refizeram o cálculo, mas, desta vez, levando em consideração características das escolas e das famílias -que, já se sabe, têm peso significativo no rendimento.
Em outras palavras, eles comparam estudantes nas mesmas condições e com mesmas características.
O resultado mostra que a diferença passa a ser favorável a alunos no sistema seriado, mas é mínima. Na 4ª série, as notas dos estudantes em escolas que adotam o sistema seriado foi apenas 1% superior, diferença que fica dentro da margem de erro do levantamento.
Já na 8ª série, a diferença é um pouco maior: 1,8% em matemática e 1,4% em português.
Os autores do estudo fazem uma leitura favorável desses dados ao sistema de ciclos. Eles mostram que as taxas de reprovação e abandono são menores nesse regime, o que faz com que mais alunos consigam completar o ensino fundamental.
Argumentam ainda que, mesmo com a queda na qualidade, os efeitos futuros no rendimento de um estudante formado no sistema de ciclos compensam a pequena perda de rendimento, já que, quanto mais escolarizado, maior é a renda do trabalhador.
Eles levantam duas hipóteses para o desempenho ligeiramente menor na 8ª série. A primeira é que, no sistema de ciclos, há menos empenho do estudante ao saber que ele não será reprovado todo ano.
A segunda é que, nesse regime, mais alunos de menor nível socioeconômico conseguem chegar à 8ª série, o que acaba tendo impacto nas médias da turma. No sistema seriado, argumentam, esses jovens provavelmente já teriam abandonado a escola ou estariam retidos em séries mais atrasadas.
Lígia Vasconcellos diz que não deve se esperar que a simples adoção de ciclos aumente o desempenho. "É preciso ter mais qualidade, mas não é a progressão continuada que vai explicar a melhora ou a piora."

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Deputados aprovam bônus para educação

DA REPORTAGEM LOCAL
A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou na noite de anteontem o projeto enviado pelo governo José Serra (PSDB) que prevê o pagamento de bônus por desempenho aos servidores da educação. Para valer, a proposta deve ser homologada pelo governador.O bônus por desempenho substitui a gratificação que era calculada apenas com base nas faltas dos servidores e custou R$ 450 milhões neste ano.Ele vai dar até 2,4 salários a mais (20% do rendimento do ano) a todos os profissionais das escolas que atingirem as metas de melhoria anual estipuladas com base no Idesp -índice estadual que considera o desempenho dos alunos nas provas do Saresp e as taxas de aprovação e abandono.O bônus será proporcional ao desempenho da unidade (se atingir apenas metade da meta, será pago 1,2 salário). Se a escola ultrapassar o objetivo, a bonificação chegará a 2,9 salários.Também será considerado, individualmente, o absenteísmo. Se o servidor, por exemplo, cumprir metade da carga horária, receberá metade do bônus fixado para sua escola.
Fonte: FSP 12/12/08

Comentário: Fala-se em incentivo e valorização do trabalho do educador, entretanto, a que se pensar neste tipo de atitude, quais as conseqüências para o sistema de educação e para a saúde dos trabalhadores envolvidos. Ficam-nos algumas dúvidas: o referente bônus é apenas para professores ou é também para funcionários não docentes? As metas são apenas índice de aprovação (com a progressão continuada???, do que estamos falando?), abandono escolar (sem nenhuma outra proposta de trabalho de indentificação das razões para este abandono e ações de combate a isso?), e por fim o Saresp (correndo o risco de invertermos a lógica da avaliação e de construirmos um sistema de educação que vise à prova e não uma prova que vise nos dar pistas de pontos de melhora do sistema de educação!). Além disso, é preciso trabalhar fortemente nos problemas que levam ao adoecimento dos educadores docentes e não docentes, e não trocar a saúde destes por dinheiro, ou no caso, a ida ao médico, ou um tratamento de saúde pelo bônus! Alecxandra Ito

Comentário: Fala-se em incentivo e valorização do trabalho do educador, entretanto, a que se pensar neste tipo de atitude e quais as conseqüências para o sistema de educação e para a saúde dos trabalhadores envolvidos. Alguns pontos: o referente bônus é apenas para professores ou é também para funcionários não docentes? As metas são apenas índice de aprovação (com a progressão continuada???, do que estamos falando?), abandono escolar (sem nenhuma outra proposta de trabalho de indentificação das razões para este abandono e ações de combate a isso?), e por fim o Saresp (correndo o risco de invertermos a lógica da avaliação e de construirmos um sistema de educação que vise à prova e não uma prova que vise nos dar pistas de pontos de melhora do sistema de educação!). Além disso, é preciso trabalhar fortemente nos problemas que levam ao adoecimento dos educadores docentes e não docentes, e não trocar a saúde destes por dinheiro,