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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pesquisa aponta: Professores adoecem no trabalho


DIESAT e SINPRO RS apresentam resultados da pesquisa Condições de Trabalho e Saúde dos Profissionais do Ensino Privado do Estado do Rio Grande do Sul.
Em coletivas de imprensa realizadas em Porto Alegre, Pelotas, Ijuí e Passo Fundo foram apresentados os dados da pesquisa referentes aos docentes. Nos próximos meses serão divulgados os resultados referentes aos técnicos e auxiliares de ensino.
Esta pesquisa foi encomendada no segundo semestre do ano de 2008 pela FeteeSul - Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Rio Grande do Sul, sendo realizada pelo DIESAT - Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho.
Os pesquisadores, psicólogos e especialistas em saúde coletiva responsáveis pelo trabalho, Wilson Cesar Ribeiro Campos e Alecxandra Mari Ito, em uma das etapas desta pesquisa, percorreram diversas cidades no estado ouvindo docentes, técnicos e auxiliares de ensino.
Neste momento anexamos alguns links da cobertura da imprensa disponível na internet e, futuramente, a publicação dos resultados.

Vídeos:
RBS TV - http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=64860&channel=44

Impressos:
http://www.diariodecanoas.com.br/site/noticias/ensino,canal-8,ed-149,ct-730,cd-197774.htm

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2532326.xml&template=3898.dwt&edition=12443&section=1003

http://www.jornalagora.com.br/site/index.php?caderno=19&noticia=66435

http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/plantao/10,2530452,Pesquisa-mostra-como-esta-a-saude-dos-profissionais-de-ensino-privado-na-regiao-de-Caxias.html


http://www.contee.org.br/noticias/msin/nmsin402.asp
http://www.sinpro-rio.org.br/publicacoes/jornal/jp209/sindical.html


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

1 a cada 5 professores brasileiros é temporário

1 a cada 5 professores brasileiros é temporário

Mato Grosso tem situação mais grave, revela levantamento feito pela Folha em 23 Estados

Ao menos outros 7 Estados, entre os quais SP, têm mais temporários que a média nacional; situação afeta o ensino, diz professor da USP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA AGÊNCIA FOLHA

Pelo menos um em cada cinco professores da rede estadual de ensino no Brasil é temporário, revela levantamento da Folha em 23 Estados.
As situações mais graves são as de Mato Grosso, em que 49% dos docentes não são efetivos, e de São Paulo (43%), de acordo com dados atualizados ontem.São Paulo enfrenta uma crise desde que a Justiça suspendeu, no dia 4, uma prova em que cerca de 3.500 professores temporários tiraram nota zero. A prova ocorreu em dezembro.
Outros Estados têm índices piores do que a média nacional (22%): Ceará, Maranhão, Piauí, Amazonas, Acre e Espírito Santo. Amapá, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte não responderam à Folha. A Paraíba disse que, devido à mudança de governo, nesta semana, não conseguiria informar a tempo o número de temporários.
O excesso de temporários impede as escolas de constituírem equipes estáveis, com projetos de longo prazo, diz Romualdo Portela, professor da Faculdade de Educação da USP. Para a qualidade de ensino, diz, "é muito ruim". "E é também um professor estressado", prejudicado, segundo ele, pela falta de estabilidade.
O presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Roberto Leão, afirma que o ideal são os concursos públicos. Temporários, só "para emergências". "Isso não pode ser política estadual, como ocorre em SP, uma verdadeira aberração."
A seleção de temporários nem sempre é precedida de prova. Em Goiás, Mato Grosso, Sergipe e Tocantins, a secretaria estadual ou as escolas escolhem, após análise de currículo.
Em casos mais drásticos, em que não há professores suficientes para preencher as vagas, universitários são aceitos, como em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
A insuficiência de candidatos qualificados é justamente uma das razões que explicam a contratação precária. Outra é a não-realização de concurso por período longo ou a cessão de docentes para outras funções.
Em São Paulo, disse a Secretaria da Educação, 66 mil cargos de professor efetivo são preenchidos por temporários porque 36 mil deles estão em cargos como coordenação pedagógica e 30 mil em licença.
Há também situações em que a distribuição territorial da população pode influenciar. Segundo a Secretaria de Educação de Mato Grosso, há municípios com apenas uma escola estadual -e os professores não conseguem preencher todas as horas previstas em um concurso. Como as cidades são distantes, o professor é chamado para contratos temporários de menos horas de duração.
O Rio de Janeiro é a exceção -mantém temporários só em educação indígena. Segundo a Secretaria de Educação, se é preciso substituir alguém, professores concursados são chamados e ganham hora-extra.
(ANGELA PINHO, JOHANNA NUBLAT, LARISSA GUIMARÃES E RENATA BAPTISTA)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Professora é afastada por colar boca de aluno com fita adesiva

Professora é afastada por colar boca de aluno com fita adesiva

DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

Um professora da rede municipal de Manaus (AM) foi afastada por colar fita adesiva na boca de duas crianças, de seis e sete anos, como castigo em sala de aula.
Júlia do Carmo Oliveira da Silva, 43, ficará fora da rede por tempo indeterminado. Contatada pela Folha, ela disse que não tinha nada a comentar.
A Secretaria da Educação de Manaus classificou o caso, ocorrido na escola Padre João D'vries na segunda, como agressão e maus-tratos.
Em sua defesa, a professora disse à secretaria que usou a fita adesiva como uma "brincadeira". "Foi um gesto impulsivo", disse.

Precários: a cura pelo concurso

Precários: a cura pelo concurso

ELIZABETH BALBACHEVSKY

Fonte: Folha de São Paulo

É preciso que a seleção do professor volte a ser uma prerrogativa da escola, o que implica descentralização e vínculos permanentes

A PROVA classificatória para professores "precários" do ensino público paulista suscitou um debate que parte, a meu ver, de uma perspectiva errada. Propõe-se como cura para todos os males o concurso público, como se a simples efetivação dos professores fosse capaz de assegurar a qualidade do ensino.
Se dessa forma fosse, todo o ensino privado teria a mesma reputação de qualidade que o ensino público tem, uma vez que todos os seus professores são, em princípio, precários.
O número de efetivos e estáveis em sala de aula (130 mil) esconde o enorme número de professores efetivos que hoje desempenham funções fora da sala de aula.
Abrir concurso para 75 mil novos cargos de professor não significa, portanto, prescindir de "temporários", pois a inércia, por si só, irá garantir que uma parcela significativa dos novos "efetivos" saia do ambiente da sala de aula por meio da ampla gama de alternativas que a legislação estatutária lhes garante.
Afinal, um dos paradoxos da "carreira" aberta para o professor efetivo da rede pública são precisamente as oportunidades (e incentivos) para o professor se afastar da sua atividade-fim, em contraste com os poucos e precários instrumentos para premiar seu bom desempenho em sala de aula.
A prova da Secretaria da Educação não tinha como objetivo resolver o problema da efetivação, mas sim o de cumprir sua obrigação constitucional de garantir a todos um ensino de qualidade.
Infelizmente o debate se cingiu a uma oposição entre um Estado "mau patrão" e os direitos estatutários e trabalhistas reivindicados pelos sindicatos. No outro prato da balança, entretanto, está o direito constitucional à educação, um direito difuso das famílias paulistas, que não encontrou seu porta-voz no debate.
Tem razão uma educadora da Universidade de São Paulo quando lamenta, em entrevista à Folha (13/2/ 2009), o desaparecimento da figura do professor "da" escola estadual.
A inexistência do vínculo do professor com a escola -seja ele estável, seja precário- deve-se ao fato de que não é na escola, mas sim no Estado, que o professor encontra tudo o que é relevante para sua vida funcional e acadêmica.
A escola estadual não tem nenhuma autoridade ou poder sobre o recrutamento, a carreira, as remoções, as licenças, os afastamentos, tampouco sobre o desempenho dos professores. A "atribuição" centralizada das turmas, por meio de regras burocráticas e impessoais, tal como era a praxe, é uma aberração, uma vez que ela amplia a rotatividade dos docentes, retira do professor quaisquer vín- culos com a escola e, ao mesmo tempo, retira da escola qualquer instrumento de pressão por desempenho ou assiduidade.
Reduzir o problema do desempenho do professorado à questão de seu regime empregatício tem, como corolário, que escolher a escola é uma prerrogativa do professor, ao contrário do que ocorre no resto da civilização, onde escolher o professor é uma prerrogativa essencial da escola.
Para inverter esse processo perverso, é preciso, primeiro, que o recrutamento do professor volte a ser uma prerrogativa da escola, o que implica processos seletivos descentralizados e, em segundo lugar, que o vínculo com a escola seja em princípio permanente e a remoção seja a exce- ção, tendo a escola que cede e a que recebe a última palavra.
Finalmente, essa escola precisa ter seu desempenho aferido e avaliado em processos transparentes que possam ser acompanhados pela sociedade (e não apenas por seus pares). Somente dessa maneira poderemos ter de volta "os professores da escola pública", e a escola pública poderá voltar a ser uma instituição com vida própria -e não apenas um lugar onde se aglomeram provisoriamente estudantes e professores.
Se existe a disposição do governo do Estado para criar 75 mil novos cargos de professor, seria uma insensatez usar a oportunidade proporcionada pelo conflito provocado pela avaliação dos temporários para simplesmente reproduzir todos os vícios do atual sistema. Uma nova carreira docente, com um novo tipo de vínculo com o ensino e com a escola, tendo o direito dos alunos e das famílias como referência de legitimidade, está ao alcance da mão.

ELIZABETH BALBACHEVSKY , 50, socióloga, doutora em ciência política pela Universidade de São Paulo, é professora associada do Departamento de Ciência Política da USP e pesquisadora sênior do Nupps-USP (Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas). É fellow do mestrado em ensino superior da Universidade de Tampere (Finlândia), com bolsa Erasmus Mundi da União Europeia.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Deputados aprovam bônus para educação

DA REPORTAGEM LOCAL
A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou na noite de anteontem o projeto enviado pelo governo José Serra (PSDB) que prevê o pagamento de bônus por desempenho aos servidores da educação. Para valer, a proposta deve ser homologada pelo governador.O bônus por desempenho substitui a gratificação que era calculada apenas com base nas faltas dos servidores e custou R$ 450 milhões neste ano.Ele vai dar até 2,4 salários a mais (20% do rendimento do ano) a todos os profissionais das escolas que atingirem as metas de melhoria anual estipuladas com base no Idesp -índice estadual que considera o desempenho dos alunos nas provas do Saresp e as taxas de aprovação e abandono.O bônus será proporcional ao desempenho da unidade (se atingir apenas metade da meta, será pago 1,2 salário). Se a escola ultrapassar o objetivo, a bonificação chegará a 2,9 salários.Também será considerado, individualmente, o absenteísmo. Se o servidor, por exemplo, cumprir metade da carga horária, receberá metade do bônus fixado para sua escola.
Fonte: FSP 12/12/08

Comentário: Fala-se em incentivo e valorização do trabalho do educador, entretanto, a que se pensar neste tipo de atitude, quais as conseqüências para o sistema de educação e para a saúde dos trabalhadores envolvidos. Ficam-nos algumas dúvidas: o referente bônus é apenas para professores ou é também para funcionários não docentes? As metas são apenas índice de aprovação (com a progressão continuada???, do que estamos falando?), abandono escolar (sem nenhuma outra proposta de trabalho de indentificação das razões para este abandono e ações de combate a isso?), e por fim o Saresp (correndo o risco de invertermos a lógica da avaliação e de construirmos um sistema de educação que vise à prova e não uma prova que vise nos dar pistas de pontos de melhora do sistema de educação!). Além disso, é preciso trabalhar fortemente nos problemas que levam ao adoecimento dos educadores docentes e não docentes, e não trocar a saúde destes por dinheiro, ou no caso, a ida ao médico, ou um tratamento de saúde pelo bônus! Alecxandra Ito

Comentário: Fala-se em incentivo e valorização do trabalho do educador, entretanto, a que se pensar neste tipo de atitude e quais as conseqüências para o sistema de educação e para a saúde dos trabalhadores envolvidos. Alguns pontos: o referente bônus é apenas para professores ou é também para funcionários não docentes? As metas são apenas índice de aprovação (com a progressão continuada???, do que estamos falando?), abandono escolar (sem nenhuma outra proposta de trabalho de indentificação das razões para este abandono e ações de combate a isso?), e por fim o Saresp (correndo o risco de invertermos a lógica da avaliação e de construirmos um sistema de educação que vise à prova e não uma prova que vise nos dar pistas de pontos de melhora do sistema de educação!). Além disso, é preciso trabalhar fortemente nos problemas que levam ao adoecimento dos educadores docentes e não docentes, e não trocar a saúde destes por dinheiro,

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

USP e Unesp adotam avaliação de professores

USP pagará prêmio de R$ 1.000 a servidores que tiveram bom desempenho
Bonificação leva em conta indicadores de desempenho da pós, o cumprimento de metas e a posição em rankings internacionais

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

A USP e a Unesp, duas das principais universidades do país, decidiram criar programas de avaliação de seus servidores. Os sistemas prevêem pagamento de prêmios em dinheiro a professores e funcionários, no caso da USP, e uso de um sistema de pontuação para manutenção do regime de trabalho e do salário na Unesp.

O Prêmio Excelência Acadêmica Institucional USP terá o valor de R$ 1.000 nesta primeira edição -metade desse valor começa a ser pago hoje para professores e funcionários.
A segunda parcela do bônus será liberada no primeiro semestre do ano que vem. As próximas edições dependerão do orçamento da universidade.
Os critérios de avaliação levam em conta uma série de indicadores de desempenho, que inclui a avaliação da pós-graduação pela Capes -o prêmio só é pago caso sejam mantidas ou aumentadas as médias dos conceitos dos programas.
Outro item avaliado é o cumprimento dos planos de metas por todas as unidades.
O último deles leva em conta a posição ocupada pela USP em quatro rankings internacionais que testam centros de ensino (veja quadro nesta página).
Para fazer jus à premiação, a USP deve, a cada ano, estar entre as 200 melhores universidades do mundo em pelo menos duas dessas listas.
Uma comissão gestora do prêmio foi montada para avaliar o cumprimento das metas. Somente com o pessoal da ativa, a USP vai gastar na primeira edição cerca de R$ 21 milhões.
"A proposta do prêmio é reconhecer o esforço coletivo da comunidade acadêmica nessas conquistas, que conduzem à ampliação da liderança acadêmica da universidade, tanto no cenário nacional quanto no internacional", diz a reitora da USP, Suely Vilela, em nota.
A premiação é criticada pelo presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Otaviano Helene, que o vê como uma forma de não conceder aumentos salariais. "Se há dinheiro no orçamento, deve-se discutir reajustes salariais, colocar na mesa de negociações. Nem houve discussão formal", diz.

Unesp
Já a Unesp criou sistema em que o professor terá seu regime de trabalho reduzido, o que causa perda salarial, caso não atinja o patamar de produtividade fixado pela instituição.
Cada "recuo" no patamar de jornada pode significar perda superior à metade do salário -há três divisões, de 12, 24 e 40 horas de trabalho semanais.
Em uma escala de avaliação que vai de zero a cem pontos, o professor terá de atingir ao menos 50 (considerando a média de desempenho em três anos) para manter o regime de 40 horas semanais (grupo onde está a maioria dos profissionais).
Cada atividade docente ganhou uma pontuação. Exemplos: disciplina ministrada vale dois pontos; publicação de pesquisa em periódico reconhecido vale dez pontos. Será avaliada a produção do professor na graduação, na pós, na pesquisa, na extensão e na gestão.
"O docente precisa ter um desempenho mínimo, uma conduta acadêmica", afirmou o reitor Marcos Macari. "Lutamos quatro anos para aprovar o projeto. E estamos exigindo o mínimo do mínimo."
Simulação feita pela comissão que criou o sistema indicou que, se o modelo já estivesse em funcionamento, cerca de 10% dos docentes perderiam seus regimes de trabalho. A instituição possui 3.554 professores.
"Mas a redução não é automática. Se não atingir os pontos, o professor ainda terá direito a defesa", afirmou o coordenador da Comissão Permanente de Avaliação da universidade, Adriano Antonio Natale.
A avaliação começou neste ano. Ao final do período letivo, os docentes devem entregar as suas chefias os primeiros relatórios referentes à atividade anual, para o acompanhamento do desempenho trienal.
A Adunesp (associação dos professores) se mostra contrária à medida. Para a entidade, um dos principais problemas é adotar um único sistema de avaliação para todas as áreas.
O modelo, diz a Adunesp, pode obrigar que os docentes canalizem suas pesquisas apenas para áreas que tenham apoio e financiamento de empresas.
"Como o professor precisará apresentar uma produção, será mais fácil se ele trabalhar com áreas que recebem financiamento do mercado. Assim, você deixa de valorizar outras atividades", disse Antônio Luis de Andrade, diretor da entidade.
Andrade cita um exemplo: "Ao mercado, não interessa desenvolver medicamentos para doenças tropicais. Por isso, deixaremos de estudá-las?"
Fonte: FSP 04/12/08

Por causa de uns, a lei prejudica quem precisa, diz docente

BRUNA SANIELE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para a professora de artes da Escola Estadual Clodomiro Carneiro, Sandra Bárbara, as seis faltas são insuficientes. "Por causa de alguns, que se achavam no direito de faltar, a lei acabou prejudicando aqueles que precisam. Tive câncer de pele, é difícil sair de uma doença dessas. Em alguns meses tenho que me consultar com três especialistas e não posso abonar. Fiquei prejudicada", afirma Sandra.
Segundo ela, deveria haver um controle de faltas por meio de relatório médico. "Se fossem mais, ia ser bem melhor. Não precisava ser 12 como na prefeitura, mas podia aumentar um pouco", diz Samanta de Oliveira Barbosa, professora de educação básica.
Para a professora de português Patrícia Valéria Pereira, os professores com alta carga horária são os mais prejudicados. "Dependendo da carga horária que esse professor tenha, vão existir algumas faltas."
Conforme a diretora da Escola Estadual Clodomiro Carneiro, Helena Maria Aparecida Bittencourt, até o ano passado o número de faltas era alto devido aos atestados médicos.
"Alguns professores chegaram a tirar 15 faltas médicas em um mês. Quem estava saindo prejudicado era o aluno. Então conscientizamos os professores de que esses alunos não podiam ficar ociosos."
De acordo com a diretora, o trabalho de orientação incluiu reuniões, palestras e teleconferências -em 2008, a média da escola foi de duas faltas por professor.
"Dentro do que a lei manda, nunca houve muito problema. Quando o professor tem um compromisso com a escola, ele dificilmente falta. Assim você tem um aluno dentro da sala de aula", afirma Márcia Marques Quadros de Melo, professora de ciências.
A professora de matemática Ione Lopes dos Santos faz uma ressalva: "A freqüência melhorou, mas há pessoas que acabam vindo trabalhar mesmo doentes".
Fonte: FSP 04/12/08

Não constumo colocar comentários na própria matéria, mas achei que esta necessitava de um. A matéria deveria ter o título de: Lei obriga professor a trabalhar doente!
É impossível se limitar o número de dias a que um trabalhador, de qualquer categoria, possa faltar para tratamento de saúde. Pensando que, com os baixos salários pagos, professores precisam trabalhar nos três turnos (manhã, tarde e noite), em que momento ele fará seus acompanhamentos médicos ou tratamentos de saúde?
Alecxandra M Ito

Caem pela metade as faltas de docentes por atestado médico

Redução na rede estadual de SP ocorre após lei limitar a 6 por ano as ausências por doença
Antes, professores podiam faltar até metade do ano letivo sem desconto, desde que ausências fossem em dias alternados e com atestado


FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL
O número de faltas de professores justificadas por meio de atestados médicos caiu 59% na rede estadual de SP. A redução ocorreu após a gestão Serra (PSDB) aprovar lei que limitou em seis a quantidade dessas ausências aos servidores por ano.
O balanço, feito pela Secretaria da Educação, comparou os seis meses posteriores à implementação da regra (em abril) com o mesmo período de 2007.
No ano passado, de maio a outubro, foram registradas 398 mil faltas justificadas com atestados de consultas ou exames. Em 2008, no mesmo período, foram 163 mil. A rede tem 230 mil docentes. O governo propôs a lei alegando que muitas faltas ocorriam sem necessidade.
Por meio da assessoria, a secretária Maria Helena Guimarães disse que a queda nas ausências dos docentes "reflete diretamente na aprendizagem dos estudantes, pois é fundamental que o professor acompanhe o dia-a-dia dos alunos".
Antes da lei, os servidores podiam faltar até metade do ano letivo sem desconto dos dias perdidos, desde que as ausências fossem em dias alternados e com atestado médico para comprovar consultas ou exames. Para licenças médicas ou ausências em dias seguidos por problemas de saúde, era preciso passar por perícia (regra que continua em vigor).
Reportagem da Folha de novembro de 2007 mostrou que, diariamente, cerca de 30 mil professores faltavam às aulas, por várias razões. A secretaria diz que não fechou o balanço geral atualizado das ausências.
Além da nova norma, o governo tomou outras medidas na tentativa de diminuir o absenteísmo, como investigar os atestados e usar o número de faltas como um dos critérios para pagamento de bônus.
A presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Maria Izabel Azevedo Noronha, afirmou que não confia nos dados apresentados. "Não acho que o absenteísmo seja tão alto." Ela disse também que "o governo não tenta combater as reais causas das faltas dos professores, que são as condições de trabalho e os salários".
Professora da Faculdade de Educação da USP, Lisete Regina Gomes Arelaro diz que "a secretaria parte do princípio de que a população não adoece. Aposto que a secretária e sua equipe vão mais de seis vezes ao médico por ano". Para ela, "o governo adota métodos coercivos para evitar faltas, com prejuízos financeiros. Como os salários são baixos, os professores trabalham até doentes".
Avaliação oposta tem a diretora-executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, instituição que possui programas para melhorar a gestão de escolas públicas no país. "Todo mundo sabia que o abuso era gigantesco. Por anos, como o governo não podia dar aumento, passou a permitir as faltas. A lei veio para moralizar."
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo também registrou queda nas faltas. Entre 2006 e 2008, o número de ausências recuou 54,3%.
A gestão Gilberto Kassab (DEM) cita três explicações: os atestados agora só podem ser emitidos pela prefeitura, e não mais por médicos particulares; a falta em cada aula é descontada; e o aumento do peso das ausências como critério para pagamento de gratificações.
Fonte: FSP 04/12/08

Esta e a reportagem postada na seqüência são complementares. O governo aponta a lei como algo a ser glorificado, por poupar recursos financeiros, em tese. Não houve uma discussão aprofundada da razão pela qual as pessoas precisam de tantos atestados de saúde e por qual motivo os professores vêm adoecendo, muitas vezes em silêncio. Muitos professores evitavam os afastamentos com medo de perderem pontos (ranking que permite a escolha de escolas e número de aulas), e assim iam trabalhando doentes, com dores, sem voz, etc. Com a lei o que se fez foi institucionalizar que essa deve ser a prática: trabalhe doente! A lei sozinha não irá melhorar a qualidade da educação pública, mas pode, ao contrário, conquistar trabalhadores mais descontentes e em condições de saúde precárias. Alecxandra M Ito

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Maior problema é o baixo salário, diz professor

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para o professor da Faculdade de Educação da USP, César Minto, a alta nos índices de reprovação e evasão escolar está diretamente relacionada com a falta de investimento governamental nas escolas."Cada vez mais, o descaso com as escolas vai se tornando perceptível", diz. "Um porcento de reprovação para mim já é um número alto. Já mostra que os indivíduos não estão sendo respeitados no seu direito à educação."Os índices foram compilados pela Comissão Municipal de Direitos Humanos justamente para avaliar a situação desses direitos nas regiões das subprefeituras da capital.O principal problema, na opinião dele, é a questão salarial. Os baixos salários fazem com que os professores se sintam desestimulados, diz. "Os professores não têm estímulo. Nas escolas que conseguiram preservar a qualidade, [isso] foi graças ao estímulo deles".Ele ressalta ainda que, caso os governos aumentassem os níveis salariais dos professores da rede pública, haveria também um reflexo no salário das redes particulares, já que poderia haver uma migração no fluxo de professores. "Haveria uma evasão do setor privado para o público", afirma.A evasão e a repetência, para ele, também são causadas pelas precárias estruturas escolares. "Na rede estadual de São Paulo não tem biblioteca e laboratório. Não há nem uma previsão de ter. Falo de uma biblioteca e de um laboratório sérios, e não de uma salinha com uma placa", destaca."Não há nenhuma previsão de contratar profissionais para isso. Quantas bibliotecárias da rede pública você já viu?"José Carlos Augusto, presidente do Sieeesp (sindicato das escolas particulares do Estado de São Paulo), concorda. Para ele, a burocracia das redes públicas também é um empecilho para a melhoria na qualidade da infra-estrutura. "Se quebra alguma coisa na escola particular, imediatamente se arruma. Na rede pública tudo demora", diz. "Essa falta de estrutura desestimula os alunos." (TB)
Fonte: FSP 27/11/08

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Diesat realiza pesquisa de saúde e ambiente de trabalho nas escolas

A Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Rio Grande do Sul (Feteesul), em parceria com os sindicatos que representa, entre os quais o Sinpro/RS, encomendou ao Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat) uma pesquisa sobre a saúde dos professores e funcionários das instituições de ensino privado do estado.
A sondagem terá três fases e será realizada de setembro a novembro deste ano.O objetivo da sondagem é identificar a qualidade do ambiente de trabalho e mapear as doenças ocupacionais específicas dos educadores e demais profissionais da Educação Superior e do Ensino Básico. “Trata-se de uma pesquisa fundamental para colocar na ordem do dia a questão da saúde do professor e dos trabalhadores em Educação. Especialmente nesse momento em que se discute cada vez mais a qualidade do ensino e o peso da Educação no desenvolvimento do país”, ressalta Wilson Campos, psicólogo especialista em saúde coletiva e integrante do Conselho Científico do Diesat.
Um cruzamento de estatísticas do INSS com outros levantamentos mostra que professores são a terceira categoria profissional em que mais ocorrem afastamentos do trabalho por doenças ocupacionais, depois dos trabalhadores da construção civil e dos bancários. Os problemas mais comuns são estresse, doenças da voz e coluna, varizes, lesões por esforço repetitivo.
“A proposta da pesquisa é avaliar cientificamente o que as entidades sindicais do setor já vêm constatando ao longo dos anos: o crescente adoecimento dos professores em virtude das jornadas de trabalho cada vez mais extensas”, aponta Cássio Bessa, coordenador-geral da Feteesul e diretor do Sinpro/RS.
Depois de concluída, a sondagem irá subsidiar os sindicatos na implementação de políticas de prevenção junto às escolas e, inclusive, negociar cláusulas nas convenções coletivas de trabalho que protejam mais e garantam melhores condições de trabalho para os professores e funcionários, destaca o dirigente.
METODOLOGIA – A fase qualitativa da pesquisa será realizada nos meses de setembro e outubro e consiste em entrevistas abertas, por amostragem, com professores e funcionários de 46 instituições, em nove regiões do estado. Em novembro será desenvolvida a pesquisa quantitativa, com um número maior de instituições. A sondagem será por meio de questionários elaborados a partir dos resultados da primeira fase e que serão enviados aos professores e demais trabalhadores do setor pelos respectivos sindicatos.
Fonte: Jornal Extra Classe de setembro de 2008

Charge sobre "reportagem" da Veja a respeito da educação nas escolas públicas brasileiras

Artista: Santiago
Fonte: Extra Classe setembro 2008

Carta de repúdio da Prof Dra Nita Freire à revista Veja


"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra PauloFreire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE – e um dos maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas ,camufladamente, age em nome do reacionarismo desta. Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituárioda revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos osoutros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo,apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.
A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética,c ertamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criadap or Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista. Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário. Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas, sobretudo, pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou – que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela.
Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar. Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão-somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os, e as, que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem, a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!
São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire."

Viúva de Paulo Freire escreve carta de repúdio à reportagem publicada na Veja

Redação Portal IMPRENSA
Ana Maria Araújo Freire, a Nita, viúva de Paulo Freire - um dos maiores educadores brasileiros, criador do método Paulo Freire de educação - divulgou uma carta de repúdio a uma reportagem publicada no dia 20 de agosto na revista Veja, da Editora Abril.
Intitulada "O que estão ensinando a ele?", a matéria discorreu sobre a qualidade do ensino no Brasil baseando-se em uma pesquisa sobre o assunto. Escrita por Monica Weinberg e Camila Pereira, o texto diz que muitos professores "idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização".
A pesquisa mostrou que os professores entrevistados preferem Freire ao físico teórico alemão Albert Einstein. "Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado", afirma o texto da Veja.
Em carta, a educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire registra "sua mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista Veja oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país". Segundo ela, a revista age de maneira "camuflada" em favor reacionarismo "dos poderosos e endinheirados da direita", enodoando pessoas "as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar".
Ela lembra que não é a primeira vez que a revista investe sobre alguém que "é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista". Quando seu marido faleceu, em 1997, o obituário da Veja "apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas", não lamentando sua morte, como fizeram todos os outros veículos de comunicação.
"Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu 'Norte' e 'Bíblia', esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil", diz a carta de Nita.
Para ela, a Veja está "apavorada" com o que educador plantou, quer torná-lo insignificante e eliminar do espaço escolar "o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião". Entretanto, a historiadora acredita que "querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia".
Procurada pelo Portal IMPRENSA, até o momento a revista Veja não se pronunciou sobre o assunto.
Fonte: Portal Imprensa 15/09/2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Alunos que colaram professora são expulsos

Decisão do Conselho de Pais e Mestres foi na 6ª; os 3 estudantes irão para escolas diferentes

Docente teve queimaduras de primeiro grau após se sentar em cola; ela não pretende processar o Estado nem os pais dos alunos


MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS

Os três alunos da rede estadual em Campinas (93 km de SP) que colaram uma professora na cadeira no último dia 19 foram expulsos da escola.
Os estudantes, com idades de 12 a 15 anos, usaram cola de secagem rápida na cadeira da professora, de 28 anos, e foram expulsos da escola estadual Reverendo Eliseu Narciso, na periferia da cidade.
A decisão sobre a expulsão foi tomada na última sexta-feira pelo Conselho de Pais e Mestres -composto por pais, alunos, professores e direção da escola. Eles serão transferidos para escolas diferentes.
Os alunos aproveitaram a sala vazia na hora do intervalo e despejaram a cola na cadeira da professora -que não teve o nome divulgado. Ela teve queimaduras de primeiro grau nas pernas depois que a cola corroeu sua calça jeans.
A docente conseguiu se desprender da cadeira e foi atendida em um pronto-socorro. Por meio da direção da escola, ela informou que não pretende processar o Estado nem os pais dos alunos.
O caso foi registrado na Delegacia da Infância e da Juventude de Campinas. A Vara da Infância e da Juventude da cidade também já ouviu o depoimento de um dos jovens e ainda deve definir punição.

Indenização
No dia 18, a Justiça de Rondônia condenou 19 pais de alunos a pagar indenização -R$ 15 mil, no total- a um professor de matemática de um colégio em Cacoal (500 km de Porto Velho). Ele havia sido ofendido no Orkut por dez estudantes da oitava série, com idades entre 12 e 13 anos. "Vamos quebrar os vidros, jogar açúcar dentro do tanque de gasolina", dizia um dos recados deixados em uma comunidade com a foto e o nome do professor Juliomar Reis Penna, 33. A decisão foi em segunda instância -na primeira, eles já haviam sido condenados. Os pais disseram à Justiça de Rondônia se tratar de uma brincadeira infantil.

Fonte: Folha de São Paulo - 30/09/2008 - Caderno Cotidiano

Professor: houve perda de status com os estudantes

Professor de Física de uma escola pública de ensino médio em Planaltina, cidade-satélite de Brasília, Renato Milleti atribui o aumento dos conflitos envolvendo alunos e professores em ambiente escolar a uma espécie de "perda de status" do profissional de educação na sociedade. Ao lado do desinteresse acadêmico demonstrado pelos estudantes, sobretudo os de 5ª à 8ª série, na visão dos professores, o ambiente de conflito nas escolas aparece como uma das principais reclamações dos docentes entrevistados no levantamento da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e Cultura, mais a Fundação SM.

"O profissional de educação está sem moral com o aluno", reclama Milleti. ­"Muito disso acontece porque o professor é visto como um quebra-galho, alguém que não conseguiu fazer mais nada na vida, e não como uma pessoa que estudou e é capacitada para transmitir conhecimento. Essa visão ficou no passado." Em consonância com os resultados do levantamento, que apontam uma visão pessimista dos docentes sobre a evolução do sistema educacional brasileiro nos últimos seis anos, o professor de Brasília critica as políticas públicas do governo federal para a área de educação como "excessivamente voltadas para cumprir estatísticas".

Para Milleti, o governo falha em aumentar a qualidade do ensino básico, ao priorizar metas de número de matrículas e aprovações. "O que se tem visto é um governo pouco interessado em arrumar a educação já a partir da base", argumenta. ­"A preocupação é só com a estatística, o nível de aprendizado do aluno fica em segundo plano", observa. De acordo com a pesquisa, 49,4% do professorado no País considera que a educação brasileira piorou nos últimos anos.

Problema cultural
No Congresso, a constatação dos professores de que falta participação dos pais na educação dos filhos é apontada como um problema cultural e social. O presidente da Comissão de Educação do Senado, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), explica que, em muitos casos, os pais não participaram de um sistema educacional como os filhos e, portanto, não sabem como orientá-los no aprendizado.

Outro problema seria que a educação não é vista por algumas famílias como um valor, mas sim, um caminho para a sobrevivência. ­"A educação, às vezes, não é encarada como uma questão fundamental para a vida, mas sim como uma maneira de se garantir um salário no final do mês", avalia. O senador acredita que o governo também precisa atacar o problema e articula a aprovação de um projeto que obrigue aos pais dos beneficiados do programa Bolsa Família a comparecer pelo menos uma vez ao mês na escola, mas a base governista não demonstra interesse em votar a proposta.

Quanto à pouca influência dos livros didáticos na formação dos estudantes, o pedetista aposta que a solução está na instituição do horário integral para as escolas. ­"Hoje, o aluno sai da aula, vai para casa e nem lembra do livro", afirma. ­"Com o horário integral, obrigatoriamente ele terá que se debruçar sobre as lições."