quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Viúva de Paulo Freire escreve carta de repúdio à reportagem publicada na Veja
Ana Maria Araújo Freire, a Nita, viúva de Paulo Freire - um dos maiores educadores brasileiros, criador do método Paulo Freire de educação - divulgou uma carta de repúdio a uma reportagem publicada no dia 20 de agosto na revista Veja, da Editora Abril.
Intitulada "O que estão ensinando a ele?", a matéria discorreu sobre a qualidade do ensino no Brasil baseando-se em uma pesquisa sobre o assunto. Escrita por Monica Weinberg e Camila Pereira, o texto diz que muitos professores "idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização".
A pesquisa mostrou que os professores entrevistados preferem Freire ao físico teórico alemão Albert Einstein. "Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado", afirma o texto da Veja.
Em carta, a educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire registra "sua mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista Veja oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país". Segundo ela, a revista age de maneira "camuflada" em favor reacionarismo "dos poderosos e endinheirados da direita", enodoando pessoas "as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar".
Ela lembra que não é a primeira vez que a revista investe sobre alguém que "é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista". Quando seu marido faleceu, em 1997, o obituário da Veja "apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas", não lamentando sua morte, como fizeram todos os outros veículos de comunicação.
"Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu 'Norte' e 'Bíblia', esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil", diz a carta de Nita.
Para ela, a Veja está "apavorada" com o que educador plantou, quer torná-lo insignificante e eliminar do espaço escolar "o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião". Entretanto, a historiadora acredita que "querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia".
Procurada pelo Portal IMPRENSA, até o momento a revista Veja não se pronunciou sobre o assunto.
Fonte: Portal Imprensa 15/09/2008
domingo, 2 de novembro de 2008
Deficientes utilizam academias sem adaptação em São Paulo
Colaboração para a Folha de S.Paulo
Deficientes físicos não precisam de locais especializados para praticar esportes, mas nem todas as academias da cidade de São Paulo estão preparadas para recebê-los, segundo levantamento feito pela Folha.
Todos os estabelecimentos de uso coletivo são obrigados a instalar rampas, reservar vagas de estacionamento e adaptar banheiros, entre outras medidas determinadas por lei federal. O cumprimento da norma, no entanto, não é unânime entre as principais academias.
Focada no público feminino, a Curves diz que seu roteiro de exercícios não é adaptado a pessoas com dificuldades de mobilidade. Já a Runner afirma, por meio de sua assessoria, que está reformando suas unidades para torná-las acessíveis.
Outras redes são freqüentadas por deficientes, mas não estão totalmente adaptadas. As três unidades da Competition em São Paulo têm alunos nessa condição, mas apenas a da Paulista possui acesso livre de degraus. Na Oscar Freire, uma nadadora cadeirante precisa do auxílio de funcionários para subir as escadas até a entrada.
Rafael de França treina musculação, boxe e ioga na Bio Ritmo do shopping Pátio Higienópolis, onde entra pela porta de serviço.
Mesmo sem oferecer programas específicos, algumas academias de São Paulo já se dizem aptas a receber qualquer freqüentador. A unidade Jardins da Fórmula, no shopping Eldorado, atende a 38 pessoas com deficiência, muitas em convênio com as ONGs Projeto Próximo Passo e Bombelêla.
Quem não é encaminhado por nenhuma associação não paga mais caro em nenhuma das academias consultadas. Na Fórmula, inclusive, os deficientes têm cerca de 35% de desconto no valor do plano anual.
Além de instalações adequadas, falta preparo dos profissionais para receber deficientes na maioria das academias, na avaliação da diretora-fundadora da ADD (Associação Desportiva para Deficientes), Eliane Miada. "Os professores passam um treino mais leve quando poderiam passar um mais intensivo", exemplifica.
Pelas diretrizes do Ministério da Educação, cursos de educação física devem abordar as necessidades dos deficientes, mas a existência de disciplinas exclusivas para tratar do assunto não é obrigatória.
Professor responsável por educação física adaptada na USP, onde a matéria é obrigatória, Luzimar Raimundo Teixeira afirma que, mais que quebrar barreiras arquitetônicas, as academias precisam quebrar "barreiras de atitude".
Aluno-surpresa
Das dez unidades da Bio Ritmo, a do shopping Pátio Higienópolis é a única com restrições de acesso, mas é lá que o psicólogo Rafael de França, 25, treina musculação, boxe e ioga entrando pela porta de serviço para evitar a escada.
França nasceu com mielomeningocele, patologia que faz com que não sinta as pernas dos joelhos para baixo. Seu início nos esportes foi aos 13 anos, sempre em academias voltadas para o público geral.
"Quando eu percebi que a fisioterapia não ia me colocar de pé, eu saí para a vida", afirma.
Seu professor, Marcelo Ubirajara, diz que a disciplina de ginástica adaptada que cursou na graduação em educação física na Unisa (Universidade de Santo Amaro) e a especialização em fisiologia lhe dão segurança para adaptar as aulas quando é surpreendido por um aluno com restrições --segundo a prefeitura, 10,32% da população de São Paulo tem deficiência, mas não há dados sobre quantos praticam esportes.
A vereadora Mara Gabrilli --tetraplégica após um acidente de carro e primeira titular da Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, criada em 2005-- malha diariamente: faz alongamento, pedala numa bicicleta que exercita os braços e até caminha com ajuda dos choques da eletroestimulação.
Para ela, a atividade física ajuda os deficientes a combater o sedentarismo e ganhar auto-estima. O aluno da Bio Ritmo Rafael de França, no entanto, faz um alerta: "A sociedade enxerga o deficiente ou como o coitadinho, que precisa de tudo, ou como o super-herói que transpõe barreiras. Essa cobrança por superação inibe alguns cadeirantes".
Fonte Folha online de 24/10/2008

Venda de "pílula antibarriga" é suspensa por risco de suicídio e depressão
FLÁVIA MANTOVANI
AMARÍLIS LAGE da Folha de S.Paulo
A venda do remédio antiobesidade Acomplia (rimonabanto) foi suspensa temporariamente nesta quinta-feira (23) em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde o medicamento é comercializado desde abril deste ano. A recomendação sobre a suspensão partiu da Agência Européia de Medicamentos (Emea).
O medicamento é indicado a pessoas obesas e com sobrepeso, mas pesquisas demonstraram que ele pode aumentar o risco de transtornos psiquiátricos graves, como depressão e ansiedade --informações que constam na bula do remédio.
Ontem, o comitê de produtos médicos de uso humano da Emea concluiu, baseado em pesquisas clínicas, que pacientes que usam o Acomplia têm o dobro de chances de desenvolver transtornos psiquiátricos --depressão, ansiedade e problemas de sono-- comparados àqueles que tomaram placebo.
Segundo a agência européia, os resultados do medicamento não compensam seus riscos. A recomendação é que os médicos não devem mais receitar a droga a seus pacientes e precisam rever o tratamento daqueles que a estão tomando.
"Pacientes que estejam tomando Acomplia devem consultar seus médicos para discutir o tratamento. Não é preciso parar de tomar o remédio imediatamente, mas aqueles que queiram parar podem fazer isso a qualquer momento", diz trecho da nota da Emea.
A Anvisa recebeu o pedido do laboratório ontem e hoje deve soltar uma nota sobre o assunto. O órgão orienta os médicos a pararem de receitar imediatamente o remédio e os pacientes que usam o medicamento a procurarem seu médico para receber uma nova orientação.
Segundo Antônio Roberto Chacra, chefe da disciplina de endocrinogia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o Acomplia sempre teve efeitos colaterais discutíveis. "Apóio a decisão da suspensão. Medicações devem sempre ajudar. Se houver qualquer risco, tem que suspender mesmo."
Ele diz que receitava pouco o remédio e que seus pacientes não tiveram efeitos colaterais graves, mas alguns ficaram emocionalmente instáveis. "O laboratório sempre avisou que o medicamento não deveria ser usado com fins estéticos, apenas em pacientes com fatores de risco, com uma obesidade muito grande. Mas, com esses estudos, é melhor suspender."
Ele diz que as melhores alternativas ao medicamento são dieta e exercício, que não trazem esse tipo de efeito colateral. "Mas, às vezes, é difícil, o paciente quer o remédio."
Outro lado
Segundo Jaderson Lima, diretor médico da Sanofi Aventis, a empresa ainda aposta na relação risco/benefício do remédio e está desenvolvendo estudos para obter a aprovação do seu uso para diabéticos e pacientes com risco cardiovascular. Ele afirma que nenhum comitê de segurança independente --que avalia, entre outras coisas, a segurança da droga-- vetou a continuidade dos estudos.
O Acomplia é comercializado em 18 países da Europa, além da América Latina, entre outros, com 700 mil usuários no mundo --30 mil no Brasil. "A empresa decidiu se antecipar e suspender em todo o mundo. Não é recall. O produto não tem defeito", afirma Lima.
Segundo ele, os dados recentes indicam que a relação risco/benefício não se justifica ao grupo de paciente para o qual ele foi aprovado. "As contra-indicações e as orientações da bula não foram suficientes para minimizar os riscos."
Histórico
Comercializado na Europa desde 2006, o Acomplia chegou a ser considerado uma das maiores promessas da indústria farmacêutica no combate à obesidade. Em junho de 2007, ele foi vetado pela FDA (agência norte-americana que regula alimentos e fármacos), que pediu mais estudos sobre os seus efeitos colaterais, especialmente os distúrbios psiquiátricos e risco de suicídios.
O comitê da FDA revisou os resultados de um amplo programa de 59 estudos clínicos que envolveram mais de 15 mil pacientes. Dados adicionais sobre a segurança do rimonabanto foram obtidos a partir de estudos ainda em andamento e de mais de 110 mil pessoas que já tomaram o rimonabanto na Europa e em outros países. O veto se apoiou no mesma razão que levou a Emea a recomendar agora a suspensão.
No Brasil, a droga foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no ano passado, mas só começou a ser vendido neste ano por conta de um impasse sobre o preço.
Mesmo diante das pesquisas internacionais que demonstravam o risco do remédio, médicos brasileiros defendiam o Acomplia e diziam acreditar que ele trazia mais benefícios do que riscos.
Fonte Folha online de 24/10/2008
44% das crianças têm colesterol elevado
MAURÍCIO SIMIONATO da Agência Folha, em Campinas
Uma pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com 1.937 crianças e adolescentes entre dois e 19 anos atendidos no Hospital das Clínicas da universidade constatou que quase metade deles possui índices altos de colesterol e triglicérides.
Segundo o estudo, realizado entre 2000 e 2007, 44% dos pesquisados apresentaram índices elevados de colesterol.
"Eu exagerava nos alimentos ricos em gordura quando tinha 11 anos e meu colesterol estava em 269 mg/dL. Então iniciei o tratamento com dieta e esportes. Hoje meu colesterol é 160 mg/dL", diz a estudante Jéssica Rossi Ruggeri, 17, que ainda precisa diminuir seu índice.
A pesquisadora responsável, Eliana Cotta de Faria, do Departamento de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, atribui os altos índices a fatores de risco como sedentarismo, má alimentação, obesidade e diabetes, além da hereditariedade.
De acordo com a pesquisa, 44% das crianças entre dois e nove anos apresentaram valores alterados do colesterol total, 36%, do LDL (colesterol ruim) e 56%, dos triglicérides. Os altos índices de triglicérides estão associados a um risco maior de doença coronariana.
O resultado foi muito similar no grupo dos adolescentes e jovens de dez a 19 anos. "Não é de se estranhar que a população hospitalar tivesse índices um pouco mais altos. Mas não imaginávamos que estes índices seriam tão altos", diz Faria.
Não há dados brasileiros sobre a taxa de colesterol entre crianças e adolescentes, e, segundo Ieda Jatene, presidente do departamento de cardiologia pediátrica da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) não é possível extrapolar os números encontrados na Unicamp para o resto do país.
Gordura trans
Para Roseli Sarni, pediatra e presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, uma das explicações para os níveis elevados de colesterol, além de maus hábitos alimentares em geral, é o mau entendimento dos rótulos de produtos com gordura trans. "Quando a mãe lê zero, ela entende que o alimento é livre desse tipo de gordura, o que não é verdade", diz. A legislação admite que o fabricante diga que seu produto tem "0% de gordura trans" quando tem até 0,2 g do elemento por porção. Com isso, a criança é liberada a consumir alimentos com esse tipo de gordura.
A prevenção, segundo Eliana Faria, começa com o estilo de vida da família, que é transposto para a realidade da criança. "Uma criança não pode decidir comer mais legumes se os pais não compram legumes", diz.
Para diminuir os níveis de colesterol no sangue, devem ser priorizados dieta balanceada e exercícios físicos. É preciso estimular o consumo de frutas, verduras, legumes e peixes marinhos, reduzir o consumo de óleos, açúcares e gorduras e preferir alimentos integrais.
As mudanças, no entanto, não devem ser drásticas, pois a criança pode ficar ainda mais resistente em mudar sua alimentação. "Começamos com uma mudança quantitativa, para depois fazer a qualitativa", diz Sarni. Isto é: o recomendado é reduzir alimentos que aumentam o colesterol ruim, para, gradativamente, substituí-los por opções mais saudáveis.
Medicamentos
Em julho, a Academia Americana de Pediatria tomou uma decisão radical em relação às crianças com colesterol alto: orientou que os pequenos acima de oito anos sejam medicados com drogas (estatinas) para prevenir doenças cardíacas.
No Brasil, os pediatras indicam medicamentos a partir dos dez anos, mas apenas para crianças com uma doença genética chamada hipercolesterolemia familiar, que eleva os níveis de colesterol, independentemente do estilo de vida. Para as demais, eles defendem uma dieta equilibrada associada a exercícios físicos.
A cautela tem justificativa. Não há estudos a longo prazo sobre o uso das estatinas em crianças ou que mostrem que, usando a medicação precocemente, elas estarão mais protegidas do que aquelas que iniciaram a terapia na vida adulta.
Fonte Folha online de 16/10/2008
Cientistas conseguem apagar memória específica de camundongo
A eliminação seletiva de memórias deixou de ser apenas ficção científica - ao menos no caso dos camundongos. Um grupo de pesquisadores da Universidade da China Oriental, em Xangai, e da Faculdade de Medicina da Geórgia, nos Estados Unidos, conseguiu apagar recordações específicas do cérebro dos roedores sem danificar as estruturas neuronais ou prejudicar outras lembranças.
O estudo foi publicado na revista científica Neuron. Os pesquisadores eliminaram memórias relacionadas a situações dolorosas e ao conhecimento de objetos previamente apresentados às cobaias. Os cientistas já sabiam que a enzima aCaMKII, presente no cérebro dos roedores, desempenhava um papel importante nos processos de memorização e aprendizagem.Para conhecer melhor o funcionamento da substância, criaram uma linhagem de camundongos transgênicos que produziam, na parte anterior do cérebro, uma quantidade excepcionalmente alta da enzima. Os camundongos geneticamente modificados foram submetidos, então, a diferentes testes de memória. Ficou claro que as recordações evocadas pelos roedores enquanto o nível da enzima estava alto eram apagadas de forma seletiva, irremediável e quase instantânea. Somente quando a cobaia estava sob o efeito da substância inibidora é que as memórias permaneciam intactas.
Traumas
O co-autor da pesquisa, Joe Tsien, afirmou que o conhecimento obtido poderá ser útil no futuro para tratar pessoas com estresse pós-traumático ou com medos associados a lembranças desagradáveis. Mas ele considera que qualquer terapia vai demorar muito para chegar. "Provavelmente, não estarei vivo quando ela surgir", considerou Tsien. Ele também recorda que a estrutura do cérebro humano é muito mais complexa.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Fonte Uol Ciência de 23/10/2008 - 09h30
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Clínica de Kassab é posto de saúde reformado
"É o típico puxadinho", diz o presidente do Simesp, Cid Carvalhaes; reformas foram realizadas apenas neste ano eleitoral.Prefeitura usou R$ 4,5 mi das reservas orçamentárias na adaptação dos postos; Orçamento previa R$ 130 mi para construção de clínicas.
Alex Almeida/Folha Imagem
Unidade Básica de Saúde em Santa Cecília que foi
dividida em duas partes; à esquerda fica a entrada
da AMA; à direita, a da UBS
CONRADO CORSALETTEDA REPORTAGEM LOCAL
As cinco clínicas de médicos especialistas inauguradas pela gestão Gilberto Kassab (DEM) e as outras dez que o prefeito promete entregar até dezembro são, na verdade, postos de saúde que, após reforma, passam a receber o nome de "AMA de Especialidades", bandeira de sua campanha reeleitoral.
Cerca de R$ 130 milhões foram destacados no Orçamento nos últimos quatro anos para a construção das clínicas, demanda histórica da área de saúde, mas nenhum real foi gasto. Na peça do ano que vem, enviada por Kassab à Câmara Municipal, o item "clínicas de especialidades" nem sequer existe. As reformas dos postos, as chamadas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), para a instalação das clínicas foram realizadas apenas neste ano eleitoral.A prefeitura utilizou reservas orçamentárias destinadas a reformas de prédios e compra de equipamentos, num total de gastos de R$ 4,5 milhões. Se reeleito, Kassab promete entregar mais 15 "AMAs de Especialidades" no início de 2009.
A Folha esteve ontem na UBS de Carandiru, na zona norte, que será reformada para ter parte do espaço transformada em "AMA de Especialidades". Segundo funcionários, algumas salas usadas atualmente como almoxarifado ou para atividades administrativas devem dar lugar aos consultórios dos médicos. Uma nova portaria será construída."É o típico puxadinho", disse o presidente do Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo), Cid Carvalhaes, que declara voto em Marta Suplicy (PT).
A candidata petista também promete clínicas de especialidades. O nome que a ex-prefeita utiliza, porém, é outro: "Policlínicas". Ela promete entregar 31 unidades, se eleita. Marta também prevê a utilização de prédios de UBSs para "algumas Policlínicas". Quatro anos atrás, quando tentava se reeleger, a ex-prefeita lançou um polêmico projeto batizado de "CEU Saúde", que incluía as clínicas de especialidades.
Estruturas
Os equipamentos de saúde em São Paulo são divididos em UBSs, AMAs, hospitais e, agora, "AMAs de Especialidades".Nas UBSs, as pessoas recebem o primeiro atendimento e marcam consultas. Esse foi o foco da gestão Marta (2001-2004), que precisou municipalizar os serviços de atendimento, antes na mão do Estado.
As AMAs (Atendimento Médico Ambulatorial), priorizadas pela gestão Serra/Kassab, são unidades de pronto atendimento para casos de baixa ou média complexidade. Foram criadas para desafogar os prontos-socorros dos hospitais. Boa parte das AMAs funciona hoje também em UBSs reformadas.
As clínicas de especialidades servem para dar vazão às consultas marcadas com médicos especialistas, como neurologistas, ortopedistas, endocrinologistas etc. Reportagem publicada pela Folha em 10 de agosto revelou que algumas consultas demoram até 20 meses para serem realizadas em São Paulo. A Folha também visitou ontem a "AMA de Especialidades" de Santa Cecília, na região central, instalada neste ano no mesmo prédio da UBS que já funcionava no local. São duas recepções, uma na frente, para a "AMA de Especialidades", e outra na lateral, para usuários da UBS.
Sofrendo de enxaqueca crônica desde 2004, a secretária Adriana Gonçalves Lima, 32, conseguiu ser atendida no local por um neurologista após cinco meses de espera. "Demorou, mas melhorou, porque já cheguei a esperar quase dois anos pela mesma consulta", disse Adriana, que foi encaminhada para o centro a partir de uma UBS da Vila Sônia, na zona sul.
Morador do centro, o zelador Gerson Guimarães, 50, costuma utilizar os serviços da unidade. Ele estava ontem no local para marcar consulta com um endocrinologista. O prazo dado foi de três meses. "Mudou a aparência, puseram computadores novos, as pessoas são muito gentis, mas o tempo de espera para a consulta continua o mesmo", afirmou.
A "AMA de Especialidades" de Santa Cecília é administrada pelo Hospital Sírio-Libanês, dentro do programa de terceirização de serviços levado a cabo pela gestão Serra/Kassab.
Fonte: Folha de São Paulo de 22/10/2008
CONANDA faz consulta pública a documento até o dia 12 de novembro
Todas as contribuições são de importante ajuda para a melhoria deste importante órgão da Rede de Proteção à Infância e Juventude.
As contribuições aos documentos devem ser enviadas para o Conanda até o dia 12 de novembro:
1 - via e-mail (conanda@sedh.gov.br)
ou
2 - pelos Correios para o seguinte endereço: Secretaria Executiva do ConandaEsplanada dos Ministérios, Bloco T, Ed. Anexo II, sala 421CEP 70.064-901, Brasília-DF
Abaixo o link para o documento em consulta.
http://www.mj.gov.br/sedh/conanda/documentos/minuta_resolucao_conselhos_tutelares_consulta_publica_260908.doc
ou no site do Conanda:
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/conselho/conanda/
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Alunos que colaram professora são expulsos
Docente teve queimaduras de primeiro grau após se sentar em cola; ela não pretende processar o Estado nem os pais dos alunos
MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS
Os três alunos da rede estadual em Campinas (93 km de SP) que colaram uma professora na cadeira no último dia 19 foram expulsos da escola.
Os estudantes, com idades de 12 a 15 anos, usaram cola de secagem rápida na cadeira da professora, de 28 anos, e foram expulsos da escola estadual Reverendo Eliseu Narciso, na periferia da cidade.
A decisão sobre a expulsão foi tomada na última sexta-feira pelo Conselho de Pais e Mestres -composto por pais, alunos, professores e direção da escola. Eles serão transferidos para escolas diferentes.
Os alunos aproveitaram a sala vazia na hora do intervalo e despejaram a cola na cadeira da professora -que não teve o nome divulgado. Ela teve queimaduras de primeiro grau nas pernas depois que a cola corroeu sua calça jeans.
A docente conseguiu se desprender da cadeira e foi atendida em um pronto-socorro. Por meio da direção da escola, ela informou que não pretende processar o Estado nem os pais dos alunos.
O caso foi registrado na Delegacia da Infância e da Juventude de Campinas. A Vara da Infância e da Juventude da cidade também já ouviu o depoimento de um dos jovens e ainda deve definir punição.
Indenização
No dia 18, a Justiça de Rondônia condenou 19 pais de alunos a pagar indenização -R$ 15 mil, no total- a um professor de matemática de um colégio em Cacoal (500 km de Porto Velho). Ele havia sido ofendido no Orkut por dez estudantes da oitava série, com idades entre 12 e 13 anos. "Vamos quebrar os vidros, jogar açúcar dentro do tanque de gasolina", dizia um dos recados deixados em uma comunidade com a foto e o nome do professor Juliomar Reis Penna, 33. A decisão foi em segunda instância -na primeira, eles já haviam sido condenados. Os pais disseram à Justiça de Rondônia se tratar de uma brincadeira infantil.
Fonte: Folha de São Paulo - 30/09/2008 - Caderno Cotidiano
Proposta de Lei Educacional deve sair após as eleições
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou, na noite de ontem, que os técnicos dos dois grupos de trabalho interministerial criados para apresentar sugestões de mudanças no ensino médio e para a criação de uma Lei de Responsabilidade Educacional devem apresentar suas propostas logo após as eleições municipais, que ocorrerão no próximo dia 5.
"Eu penso que, provavelmente, depois das eleições nós teremos novidades nessas duas áreas", comentou Haddad à Agência Brasil, logo depois de se reunir com o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. De acordo com Haddad, os dois já haviam estendido os prazos para que os grupos apresentassem os resultados finais de seu trabalho.
As mudanças no ensino médio prevêem, entre outras iniciativas, a construção de uma rede de escolas federais que, quando concluída, poderá absorver até cerca de 10% das matrículas do nível médio. Haddad e Mangabeira têm defendido que a rede federal aprofunde e amplie a atual concepção de ensino profissionalizante, oferecendo mais que a aprendizagem de ofícios especializados. Para isso, apontam a necessidade de que o magistério, com a ajuda do governo federal, seja organizado como uma carreira nacional.
Já a Lei de Responsabilidade Educacional, a exemplo da Lei de Responsabilidade Fiscal, estabeleceria metas de conduta para os gestores dos sistemas públicos de ensino. Agentes públicos que deixassem de aplicar o percentual mínimo das receitas tributárias na manutenção e desenvolvimento da educação poderiam ter que responder por improbidade administrativa.
Em outras ocasiões, Haddad defendeu que a Lei de Responsabilidade Educacional seria uma importante forma de garantir a continuidade das políticas públicas de educação, independentemente das mudanças de governos. Ontem, no entanto, ele não explicou se o projeto que está discutindo com Mangabeira será apensado ou se substituiria o projeto de lei (PL 600/07) do deputado Carlos Abicalil (PT-MT), que já tramita na Câmara dos Deputados.
Além de voltar a defender a reforma do Sistema S (que inclui Sesi, Senai, Sesc, Senac, Sebrae, Sest, Senat e Senar), Haddad também adiantou que, "provavelmente", o Artigo 23 da Constituição Federal será regulamentado. Entre outras coisas, o artigo trata do regime de cooperação entre União, estados e municípios para a educação.
As mudanças no regime de colaboração entre os governos federal, estaduais e municipais proporcionariam o que Haddad e Mangabeira têm classificado como um novo pacto federativo em torno da educação. Ambos defendem que é necessário reconciliar as gestões municipais e estaduais das escolas com padrões nacionais de qualidade do ensino.
"A qualidade da educação que uma criança recebe não pode depender do acaso, do lugar onde ela nasceu", defendeu Mangabeira em entrevista exclusiva à Agência Brasil na última quinta-feira.
Mangabeira propõe que União, estados e municípios se associem em um órgão conjunto que possa socorrer sistemas escolares com problemas, inclusive assumindo as responsabilidades por recuperá-los caso seja necessário. O ministro nega que esse socorro seja uma intervenção nas redes de ensino locais.
Haddad diz não ter discutido com Mangabeira a criação de qualquer órgão, mas reconhece a necessidade de encontrar uma maneira de auxiliar as localidades que não cumprirem as metas estabelecidas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). "Temos que, institucionalmente, ter uma maneira de socorrer esses municípios de forma que as crianças matriculadas nas escolas dessas cidades não fiquem defasadas".
Fonte: Agência Brasil - 23/09/2008
Professor: houve perda de status com os estudantes
"O profissional de educação está sem moral com o aluno", reclama Milleti. "Muito disso acontece porque o professor é visto como um quebra-galho, alguém que não conseguiu fazer mais nada na vida, e não como uma pessoa que estudou e é capacitada para transmitir conhecimento. Essa visão ficou no passado." Em consonância com os resultados do levantamento, que apontam uma visão pessimista dos docentes sobre a evolução do sistema educacional brasileiro nos últimos seis anos, o professor de Brasília critica as políticas públicas do governo federal para a área de educação como "excessivamente voltadas para cumprir estatísticas".
Para Milleti, o governo falha em aumentar a qualidade do ensino básico, ao priorizar metas de número de matrículas e aprovações. "O que se tem visto é um governo pouco interessado em arrumar a educação já a partir da base", argumenta. "A preocupação é só com a estatística, o nível de aprendizado do aluno fica em segundo plano", observa. De acordo com a pesquisa, 49,4% do professorado no País considera que a educação brasileira piorou nos últimos anos.
Problema cultural
No Congresso, a constatação dos professores de que falta participação dos pais na educação dos filhos é apontada como um problema cultural e social. O presidente da Comissão de Educação do Senado, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), explica que, em muitos casos, os pais não participaram de um sistema educacional como os filhos e, portanto, não sabem como orientá-los no aprendizado.
Outro problema seria que a educação não é vista por algumas famílias como um valor, mas sim, um caminho para a sobrevivência. "A educação, às vezes, não é encarada como uma questão fundamental para a vida, mas sim como uma maneira de se garantir um salário no final do mês", avalia. O senador acredita que o governo também precisa atacar o problema e articula a aprovação de um projeto que obrigue aos pais dos beneficiados do programa Bolsa Família a comparecer pelo menos uma vez ao mês na escola, mas a base governista não demonstra interesse em votar a proposta.
Quanto à pouca influência dos livros didáticos na formação dos estudantes, o pedetista aposta que a solução está na instituição do horário integral para as escolas. "Hoje, o aluno sai da aula, vai para casa e nem lembra do livro", afirma. "Com o horário integral, obrigatoriamente ele terá que se debruçar sobre as lições."
Fonte: JB Onlinede 25/09/2008